- Se estivesses no meu lugar, terias feito o quê? - perguntou-me ele.
Abanei a cabeça. Não tinha resposta para uma pergunta dificil como aquela.
Ele riu-se e pôs-se a olhar para a chavena de café.
- Quem me dera a mim ter-me safado sem responder, também. (...) Ou ia ter com ela ou não ia. Era uma das duas coisas. nao havia lugar para meios-termos. (...)
-Lá acabei por ir.
- E o que aconteceu a seguir, nao me dizes?
- Há muito tempo, quando era criança, li uma vez uma história - contou ele, sem nunca deixar de olhar fixamente para a parede da frente. - Já nao me lembro bem de tudo, mas nunca me esqueci da ultima frase.
" E quando acabou, o rei e os seus conselheiros escangalharam-se a rir que nem uns perdidos."
Não achas este final um tanto estranho?
(...) não há moral a extrair desta historia. acontece que isto foi uma coisa que se passou de facto comigo. uma coisa que se passou com todos nós. Por isso é que não me deu vontade de rir quando ela me foi contada. Ainda hoje não lhe consigo achar graça.
Mostrar mensagens com a etiqueta haruki murakami. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta haruki murakami. Mostrar todas as mensagens
domingo, 7 de agosto de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
- Sabes, acho que se não tivesse este carburante para queimar, se não tivesse essa tal gaveta cheia de recordações dentro de mim, há muito que me teria deixado ficar caída no fundo de alguma valeta e deixado morrer. Só porque posso trazer à luz do dia as memórias que essa tal gaveta encerra - tanto as lembranças importantes como as outras - é que me aguento no balanço e consigo levar por diante o pesadelo que representa esta vida. Alturas há em que chego a pensar que já não aguento mais, mas, depois, de uma maneira ou de outra, a verdade é que consigo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
